terça-feira, novembro 13, 2007

No domingo passado...

...visitei uma exposição de pintura e fotografia digital, de Diane Dyckhoff, em Évora. Na verdade fui arrastado até lá porque me prometeram um presente no final, mas mesmo tendo sido enganado a este respeito (!) a verdade é que apreciei bastante.

Foi uma exposição ao meu gosto - de tamanho modesto, pelo que podia apreciar cada obra sem ter que andar a correr para ver tudo, como acontece frequentemente nos museus com colecções enormes; e com um pormenor que me agradou particularmente: a disponibilização de um suporte video onde se podia assistir a uma reportagem sobre a artista e o seu trabalho.

Não sou, não pretendo ser e nem sequer aprecio os "snobes" culturais... aprecio a arte em geral mas continuo a gostar de chamar as coisas pelos nomes, pelo que às vezes gosto de uma pintura somente pela composição gráfica, não tentando encontrar significados misteriosos (e por vezes mirabolantes) escondidos nas fibras da tela. De qualquer modo, é sempre agradável quando conseguimos encontrar algo que nos transmite algo mais que uma impressão na retina. E isso aconteceu com os trabalhos que vi, com interpretações pessoais sobre o mundo natural e o imaginário do mundo das fadas.



Um passarinho contou-me que a exposição começou a ser organizada há uns meses atrás. No entretanto, e com atrasos devidos a alterações de programas culturais pelo meio, a artista morreu, inesperadamente ou não, pelo que a exposição se continuou a realizar, agora já em jeito de homenagem póstuma.
Pelas imagens que vi na reportagem apresentada na exposição, Diane Dyckhoff era uma senhora já com alguma idade, mas coadunava-se com a minha ideia de artista - um corte de cabelo original, confusão pela casa/atelier, ideias (por vezes) mirabolantes (entre as quais se conta, na minha opinião, um sarcófago para gatos, completo com o cadáver do bicho, a que a artista explicou ter retirado os interiores pessoalmente - espero ao menos que ela tenha deixado o pobre do bichano morrer de velhice primeiro...) . E parecia uma pessoa interessante. Nunca a conheci mas depois de ver um pouco da sua obra e aquele trabalho de reportagem fiquei com alguma pena que se tivesse ido, mesmo tendo deixado um pouco de si para trás.

Agora o pensamento do dia, por mais foleiro que soe (mas desta vez é sentido): quantos de nós se podem orgulhar de deixar uma marca para trás, por mais ténue que seja? Foleirices à parte, a exposição é muito boa e aconselho a visita a quem tiver a oportunidade, na Igreja de S. Vicente, em Évora. Da minha parte, em jeito de demostrar a apreciação, decidi imiscuir-me numa das obras da artista (espero que ela não se importe). Finalizo então com Diane Dyckoff featuring zeh, em "De Kikker en de Prins - twijfelachtige interpretaties"*, título de minha autoria, com todo o respeito...

*Holandês (se não me falha o altavista) , em homenagem ao país que a artista escolheu para viver.

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