segunda-feira, abril 09, 2007

Filosofia de Ponte (25 de Abril)

Vinha eu ontem no comboio de regresso a Lisboa na companhia do Saramago quando, ao ler uma das suas intermináveis frases que tanto me aprazem, me deparei com a questão do copo meio cheio ou meio vazio. Na frase em questão (in "As intermitências da morte") flutua-se um pouco sobre a questão do pessimismo e do optimismo, da visão corriqueira do copo meio cheio ou meio vazio, seja ele de água, de vinho (tinto ou branco - para mim prefiro o branco porque o tinto me dá a volta a estômago) ou, quiçá, o proverbial Champomi (ou fosse lá qual fosse a marca do champagne para crianças).

Não me vou alongar em filosofias, até porque na verdade nunca foi das minhas disciplinas preferidas... mas a questão do copo meio cheio ou meio vazio deixou-me a pensar, talvez derivado do embalar do comboio ou da má qualidade da luz. Ora para mim não é imediato que um copo meio vazio indique uma pessoa pessimista, nem a visão de um copo meio cheio surja de imediato a alguém para quem o mundo corre sempre às mil e uma maravilhas. Como tudo, resume-se a uma questão de enquadramento. Cá para mim, quem sabia de tudo era o Einstein, a verdade é que realmente tudo é relativo, se há meia hora atrás o copo estava cheio e neste momento se encontra pela metade, então o copo está meio vazio, se há quinze minutos o copo estava sequíssimo e agora se encontra meio de líquido (se fosse de areia o raciocínio seria o mesmo mas a imagem seria mais estranha) então encontra-se meio cheio. Sou pessimista ou optimista? Talvez realista seja o adjectivo mais adequado - ou apenas estranho por perder algum tempo a pensar nestas questões - ainda assim concluo, exactamente ou não, que um acontecimento isolado não é suficiente para definir um modo de ser, para aplicar um adjectivo, seja ele qual for. A passar pela ponte e ao ver as luzinhas da cidade lá em baixo conclui, certo ou não, ser a repetição que nos condiciona a ver as coisas de determinada forma, a rotina instalada e a tradição hipotética ou real.

No final da ponte contentei-me com este desfecho e decidi que chegava de folosofias, baratas ou caras, ainda me pergunto para que serviu, se para mais do que escrever umas quantas linhas, será que o bilhete do comboio incluia um extra reservado ao serviço de filosofia de ponte?

Sem comentários:

Publicar um comentário